domingo, 22 de julho de 2012

Areia fria


O sol acabava de nascer e eu sentada com o pé na areia desabafando angustias. Parecia que eu falava com o nada, mas havia algo. À medida que minhas palavras saiam tudo ao meu redor parecia absorver essas frases que me incomodavam. Me sentia cada vez mais limpa e leve. O vento batia em meu rosto e trazia frescor. Praia no inverno, deserta, sem ninguém. Ninguém me incomodava. Nessas longas horas quietas só existia o mar e eu. Meus pensamentos sobre tudo que existia flutuavam e tomavam conta da minha mente que um dia havia estado confusa. Descanço num verdadeiro paraíso, único e natural.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Bu


Com o cachecol enrolado em meu pescoço tentava me proteger do vento atordoante que gelava o corpo. Com o capuz do colete me protegia do sereno que o inicio da madrugada criava. O cruzeiro do sul brilhava no céu até que foi encoberto por nuvens. Uma casa em meio a um jardim. As folhagens tomavam conta to telhado e quase fechavam a entrada. Ainda havia espaço para que pudéssemos olhar o que havia dentro. Cheguei perto e ele a lanterna ligou. Não havia muita coisa lá dentro, tentava decifrar entre coisas reais e sombras. Foi então quando algo me assustou, alguém. Ele fez com que meu coração disparasse e eu gritasse. Caí numa onda de gargalhada porque sabia que certamente havia sido engraçado. Sustos me agradam. Quando acontecem você se sente, mesmo que por milésimos de segundos, ameaçada e procura uma saída, um lugar seguro. Eu sabia, ou melhor, sei o lugar onde queria estar.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Distanciando


Então você se sente longe. Longe de muita gente que realmente importava na vida. Alguns fazem falta e outros confesso que não. Talvez seja uma defesa adquirida por mim para que na real hora não doa tanto. Pelo menos algumas das pessoas que realmente fariam muita falta ainda estão próximas a mim. Alguns abalos, porém a firmeza de uma amizade permanece. Amigos recentes que se firmam como se fossem antigos e amigos antigos voltam trazendo novos. Por segundos me pego lastimando mudanças, logo passa e agradeço por terem acontecido. Tudo me dá motivos a aprender, perceber e mudar.  Vou pra longe disso, mas pretendo voltar. Não pra essa confusão que agora existe, mas sim pro antigo abrigo onde tem quem quer bem. Tem quem se importa.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Fala

Onze da noite, não penso nisso, ainda tenho esperança na vida real. Só me dou conta quando acordo de que não quero levantar, quero ficar na minha cama quente, voltar a dormir, voltar a sonhar. Antes de dormir imagino uma série de coisas que poderiam acontecer. Durmo pensando que talvez dessa vez vá sonhar com o que quero. Quando acordo não lembro o que sonhei, mas me sinto bem. Apesar disso não quero enfrentar o mundo real. Desejo fechar os olhos e voltar a um sonho em que nada existe além de nós. Todas as preocupações e pessoas chatas ao meio disso desaparecem. Nossa relação torna-se uma coisa boa, não essa obrigação, papo sério e problemas que teimamos em criar onde nada existe. Como crianças paramos de nos falar por algum tempo. Fico chateada por não saber o motivo certo. Chateada com o que nos tornamos sendo que poderíamos ter uma amizade melhor que essa. Atitudes sem pensar, cabeça quente revela muita coisa. Aprendo a parar e respirar. Escrever e me acalmar. Tentar entender, só tentar, e esperar que ele se acalme e resolva falar.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Quatro


Olhei aqueles olhos que se aproximavam dos meus. Sua mão na minha cintura me puxava em direção a ele. Eu me sentia envergonhada, não deveria porque me sinto confortável e segura com ele. Quando eu estava perto suficiente sua mão deslocou-se ao meu pescoço e arrumou meu cabelo loiro que teimava em cair em meu rosto. Ele estava confiante e calmo, sabia o que fazia. Essa experiência dele me deixava bem. Estava em boas mãos. Fechei meus olhos e deixei-o me guiar. Tudo pareceu ensaiado, com movimentos e sons milimetricamente sincronizados. Todas as minhas preocupações sumiram e não pensava em nada. Dentro de mim costumava existir um mar com ondas rigorosas e quando ele aparecia surfava nelas como se não houvesse nada.
Mágica interrompida e olhares cruzados. Devo ter corado por imaginar que por algum motivo pudesse ler minha mente. Com cara de boba, ri e me apoiei em seu peito. Em busca de conforto passou seus braços e me firmou contra seu corpo que na noite fria me esquentava. Senti seus batimentos um tanto quanto rápidos, entretanto ele não parecia se incomodar. Beijou minha testa chamando minha atenção. Então, procurei seu olhar novamente. Quando encontrei tudo parou, me entreguei novamente.