segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Fugitivo sorriso


O calor do dia praiano nórdico esquentava tudo que existia. Os raios de sol atingiam minha pele branca demais me fazendo corar. Na praia com alguns quilômetros de extensão não se via água além de poças. Em casa, com o olhar cansando, tomo banho frio que ressalta ainda mais a cor quente na pele. Com uma xicara de café em cima da mesa do jardim, escrevo. Um pequeno lampião faz barulho enquanto libera o gás que dessa maneira ilumina o que há por perto. Seleciono fotos de pessoas e lugares que vi hoje. Velhos lugares que guardam histórias únicas. Igrejas, casas, antigas prisões. Esfrego o olho que cansado arde. Apoio a caneta sobre o caderno e olho para as estrelas do céu. Um sorriso escapa e dou risada de mim mesma, deixando assim, transparecer a alegria que sinto de viver o que vivo.

sábado, 18 de agosto de 2012

Consequências


Muitas coisas aconteceram, mas não escrevo sobre elas. Tenho medo, só digo isso. As indesejadas lágrimas de sempre caíram à espera de um telefonema. A esperança de melhorar se foi ou escondeu-se fundo. Boca seca ao contrario dos olhos. Toda eletricidade do quarto foi desligada. O computador sem energia nenhuma em esperança que uma parte da agonia passasse. Voltei a escrever como antes, com raiva. Não raiva de mim, talvez raiva dele, certa a raiva do tempo. A tinta da caneta escorrega rápido no papel. Tento escrever à medida que certos pensamentos aparecem. Não paro para que outros mais complicados não apareçam. Não quero descobrir partes piores que essa. Quase sem mais lagrimas tomo um gole d’agua e respiro fundo. Largo a caneta e encosto a cabeça no travesseiro à espera de algo que não chegou. Em seu lugar, com novos pensamentos, mais lagrimas apareceram.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Achados


Sentada ao lado da rua vejo pessoas passarem com feições únicas, sentimentos e emoções escondidas. Através de suas expressões tento decifrar o que sentem. Me faz bem ver rostos novos, desconhecidos. O barulho da água do chafariz aqui ao lado se junta com o que os carros fazem. Há um homem sentado num banco tocando flauta e fazendo com que expressões indefinidas se tornassem sorrisos. Minha mente flutua por lugares que nem sabia que existia dentro de mim. Descobri que sou forte, descobri um mundo paralelo. Pessoas, lugares, gestos e barulhos. O pôr do sol às dez da noite. Tudo me faz refletir. Penso em família, amigos, grandes amigos. Me sinto bem, estou bem. Descubro pessoas que vieram da onde vim. Descubro ele, você. Descubro a mim. Me descubro.

Percebe-se que a tempo não escrevo. Eu percebo, sinto. Há exatos nove dias estou longe de tudo que conhecia. Não achava tempo para parar e colocar meus sentimentos, muitos deles angustiantes, em palavras. Eles passaram e não escrevi, assim prefiro. Só eu sei o que realmente senti e o que escorreu em lágrimas. Os ventos que por aqui passam são muitos, os mesmos que levaram a angustia embora, me trouxeram novos sentimentos. Trouxeram-me vocês. [...]